TransgranCanaria Advance

Ok, é o começo da época…mas qual época ? Até parece que sei o que estou a fazer 😁
Outra vez, penso, lá estou eu numa aventura de 4 dias que irão culminar num regresso ao trabalho tão frenético como a partida para a mesma. Quando planeamos as provas temos que esmifrar os dias de férias…e geralmente resulta num pensamento único - para a próxima tenho que por o dia seguinte, estou todo partido.
transgrancanaria2018-21261
Ok, é o começo da época…mas qual época ? Até parece que sei o que estou a fazer 😁
Outra vez, penso, lá estou eu numa aventura de 4 dias que irão culminar num regresso ao trabalho tão frenético como a partida para a mesma. Quando planeamos as provas temos que esmifrar os dias de férias…e geralmente resulta num pensamento único - para a próxima tenho que por o dia seguinte, estou todo partido.
Mas por agora é só da prova, as restantes peripécias ficam para saborear mais tarde. Seguimos para Artenara, no autocarro sente-se a pressão da prova … mentira, estava tudo descontraído 😂, no caminho começamos a perceber as magníficas montanhas da ilha desenhadas pelo céu escuro, o sol nascia mas subíamos com nuvens negras a ameaçar algum mau tempo (não passou disso). Durante o caminho vibrei com a quantidade de amendoeiras em flor (sim gosto bastante desta árvore, nota-se pela ênfase a UMA espécie de árvore eu sei, se calhar até havia dragões por lá, mas não reparei de tão fascinado que estava), a fauna era bastante verde e variada, não percebia o porquê de dizerem que esta prova tinha tanta pedra (ok, mais tarde percebi e …. não foi da melhor maneira).
Antes de partirmos ainda conseguimos ver alguns amigos nossos que faziam os 125K (começaram às 23h do dia anterior quando eu ainda via videos do YouTube lol). Partida efectuada pelo Depa (quem anda nisto sabe quem éWinking, e siga! Mil atletas, uma subida estreita, um bosque fechado, foi engarrafamento certo, ora salta ali, passa acolá e lá ia eu tentando utilizar as forças iniciais para conseguir um percurso mais favorável. Adorei o facto de encontrar no trilho caminhantes, apoiantes e outros praticantes a torcer pelos participantes hehehhe. Desde o famoso "vámó, vámó" ao "siga cábrón", foi o delírio! Nas localidades eram em tal número os que nos viam que a certa altura nem fitas necessitava de seguir, era um corredor humano que se fazia até à derivação para trilho mais próxima. Gosto sempre de conhecer marcos importantes dos locais onde corro, nem que para isso tenha que ir dar uma volta ou fazer um desvio ao percurso, e foi exactamente isso que aconteceu. Até certa altura só pensava quando chegaria a Roque Nublo, quero ver de perto o famoso marco da ilha! Já sabia mais ou menos onde se situava no perfil da prova, e quando estou na subida para o mesmo e vejo o céu completamente fechado penso - Bonito, vais ter que cá voltar…não vai ser desta! Mas entre uma sexta feira e domingo com tempestades tropicais, eis que sábado nos proporciona uma aberta em nevoeiro místico quando estamos a olhar directamente para o imponente Roque Nublo! Para mim, era como se estivesse feito!
A partir daí foi continuar a desfrutar de todas as pequenas coisas que ia observando, fossem pássaros completamente estranhos, tambores nos trilhos, caminhos escavados montanha dentro, descidas em pedra que nos colam os quadriceps, um total sentimento de absorção por toda a envolvente. Eeeee zás, aqui está a pedra, mas sentia-me bem, deixa-te ir penso eu, até tem a sua graça, e é verdade, as paisagens envolventes não faziam acreditar que todo aquele caminho que restava fosse tão massacrante assim.
A última parte, essa sim é um desafio mental. Um rio seco por entre um vale trilha o caminho final com cerca 16 quilômetros penso eu. O curioso nesta prova é que realmente me apercebi as diferenças que existem nos treinos das pessoas e o que isso afecta. Um exemplo curioso que aconteceu foi, estes últimos 16K fui praticamente a par com uma rapariga da Letónia, as subidas e descidas facilmente ao manter o passo seguia o meu ritmo e passava para a frente, ora no plano ela mantinha o dela e regresso para trás. E seguimos assim até praticamente entrar na cidade, lá ia ela, um contorno que se começava a afastar, e seguia bem, não fosse uma insolação a fazer parar. Acabamos por seguir juntos até à meta, não se justificava ultrapassar visto que facilmente me teria ganho não fosse aquele azar. Afinal, não era isso que estávamos ali para fazer ? Terminar ?
Obrigado por terem lido até ao fim! Prometo mais pormenores sobre esta aventura, mas não posso gastar os cartuchos todos de uma vez 😄
Em agradecimento aos últimos 16K
transgrancanaria2018-11968